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O ministro do comércio internacional do Reino Unido, Greg Hands, esteve no brasil no começo de 2017 e não foi uma viagem de férias em terras tupiniquins.

O The Guardian foi o primeiro veículo de comunicação a denunciar que o Brasil foi pressionado a afrouxar tributações ambientais para favorecer grandes petrolíferas. O greenpeace teve acesso ao documento que fala sobre a negociação e vazou as informações para a grande mídia (obrigado, galera!).

Na visita do Greg, foram discutidas pautas que favorecem empresas britânicas de mineração, energia e água a levarem vantagens em negócios realizados no Brasil. Isso tudo embaixo de nossos narizes e com o Paulo Pedrosa, secretário-executivo de minas e energia por dentro de tudo. Essas discussões e “tratos” tiveram, segundo documentação vazada, foco nos hidrocarbonetos e levavam em consideração condições de petrolíferas que nós conhecemos bem a reputação: Shell, BP e Premier Oil. Aparentemente, o governo brasileiro foi pressionado por questões trazidas pelo ministro britânico relacionadas a indústria de combustíveis fósseis, de forma a favorecer esse mercado.

É uma situação meio complexa e certamente vergonhosa. Todos os esforços climáticos tentados nos últimos anos foram totalmente ignorados a partir dessa negociação quase que criminosa.

O governo do Reino Unido, claro, negou ter feito qualquer tipo de lobby ou negociação desse tipo. Um porta-voz divulgou comunicado ao The Guardian falando que as reuniões entre o ministro e secretário tinham o objetivo de melhorar o processo de licenciamento, garantindo uma melhor distribuição de oportunidades para empresas nacionais e estrangeiras, de modo a garantir um licenciamento mais transparente, protegendo os padrões ambientais.

E o Pedrosa? Ah, ele disse à Folha que o encontro com o Hands foram para discussões normais entre representantes de dois países.

Engraçado, né?

Vamos pensar juntinhes:

O plano principal do Greg Hands estaria na facilitação das exigências da participação brasileira na indústria do petróleo, beneficiando desta forma a BP, a Shell e a Premier.

Se não houve lobby algum, por qual motivo foi proposto no Brasil um plano de alívio tributário de bilhões para perfuração? (isso em agosto desse ano)

Mês passado a BO e a Shell ganharam grande parte das licenças de perfuração em águas profundas num leilão do governo, qual a razão?

Se o objetivo era garantir um cenário igualitário de oportunidades para empresas nacionais e estrangeiras, por qual motivo a intenção britânica foi enfraquecer a participação de companhias brasileiras no processo? Já que as empresas citadas no lobby são quem recebem vantagens diretas nessa negociação, não havendo espaço para um cenário igualitário no que foi exposto.

A lógica aqui é quase que uma continha de padaria, mas de alguma forma, ela não está fechando.

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