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A mulher foi abençoada ou amaldiçoada com o dom de dar a luz. Certo é, que ela e, somente ela, pode gerar um outro ser dentro de si, carrega-lo por meses, enquanto vê sua barriga crescer, seu corpo mudar de forma, os pés inchar. E depois de ser cortada e costurada ou de ter que passar pela dor do parto, que dizem ser a pior dor física que se pode sentir, ter que alimentar, cuidar e amar aquele serzinho que dependerá dela para o resto de sua vida. Sendo assim, não deveria caber a mulher e, somente a ela, a decisão de se tornar mãe ou não?

Veja, que sequer estou entrando no mérito do aborto, de ter ou não ter um filho, mas estou falando de algo que vem muito antes disso, da possibilidade da mulher poder escolher se quer ou não ser mãe. Possibilidade essa, que muitas vezes é tirada da mulher, sem, ao menos, que ela perceba que em algum momento teve a escolha. Talvez, muitas delas, de fato, tenham nascido com o tal instinto maternal, mas, tantas outras, simplesmente foram  criadas e condicionadas a acharem que só se sentirão completas e plenamente realizadas com a maternidade.

Ocorre que, com tal concepção, ou nesse caso, a falta de uma, faz com que inúmeras mulheres se sintam extremamente frustradas ao não poderem dar a luz, e partam em busca de tratamentos para engravidar, chegando até a entrar em depressão caso não consigam. Outras mulheres, por outro lado, se sentem completamente decepcionada com a maternidade, chegando a afirmar que apesar de amarem seus bebês odiavam ser mães. Há algum tempo, surgiu um movimento, na internet, através do qual mães, muitas delas de primeira viagem, postavam fotos e faziam relatos, sobre a real maternidade, as dores, o cansaço, o stress e tantos outros dissabores que vêm junto com a tão sonhada, ou, por vezes, não planejada, maternidade. Tal movimento levantou uma ampla discussão nas redes sociais sobre a romantização da maternidade.

Certo é que ainda hoje a sociedade condiciona a mulher ao papel de ser mãe, quase como uma obrigação, a mulher que escolheu não ter filho ainda é muito julgada pela sociedade, e muitas vezes vista como egoísta e amargurada, já aquela que não se diz realizada com a maternidade, é condenada como se ela fosse um monstro. Mas, a verdade é que escolher ser mãe é um passo muito grande e não deveria ser imposto a mulher nenhuma.

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