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Não é novidade que atrizes, cantoras e modelos são, por vezes, retratadas de forma a destacar sua beleza e sensualidade, de modo que acabam virando símbolo sexual e desejo de homens pelo mundo a fora. Não é novidade também que durante muito tempo a indústria se aproveitou desse fato e usou e abusou da imagem dessas mulheres em propagandas comercias para atrair o público, o masculino, em comerciais de bebidas alcoólicas, por exemplo, atrelando o desejo pelo mulher ao desejo pela bebida ou ainda ao pensamento de que consumindo aquela bebida ele poderá ter mulheres como aquelas, e o feminino com roupas, acessórios, alimentos sempre com a promessa de que ao consumir tais produtos seriam iguais aquelas mulheres, lindas e sexys.

O problema de tais situações é que as mulheres deixam de ser vistas como seres humanos e passam a ser objetos de desejo, o que acaba por dar a ilusão de que as pessoas podem usar delas como bem entender, afinal, elas estão ali para servi-las. Tal pensamento se torna ainda mais perigoso nas mãos de homens, que muitas vezes têm um grande poder aquisitivo e/ou reconhecimento social, munidos da ideia de que com o dinheiro e a fama podem ter tudo o que quiser, bem como manter em sigilo qualquer situação que possa ir contra a sua imagem.

Dessa forma, apesar de situações de assédio sexual dentro da indústria cinematográfica e em outras formas de entretenimento ocorrerem há tanto tempo quanto a própria existência desses meios artísticos, a maioria desses casos passam despercebidos pela mídia e são vistos como “normais” e irrelevantes por quem os compõe. A principal razão dessa omissão é o medo por parte das próprias atrizes e celebridades de perderem seus empregos ou sua credibilidade, visto que os assediadores normalmente são homens poderosos e influentes, o que as leva a não denunciarem ou falarem sobre o ocorrido. No entanto, recentemente tal prática degradante tem recebido bastante atenção por jornalistas e, principalmente, nas redes sociais devido à publicação no The New York Times de numerosas acusações de assédio sexual contra o produtor Harvey Weinstein, cujos filmes ganharam vários prêmios da Academia. Após essa exposição inicial os relatos não pararam de se multiplicar.  Atrizes, modelos e funcionárias que passaram pelas produtoras nas quais ele trabalhava vêm denunciando casos de assédio sexual, incluindo estupro, atribuídos ao empresário. Entre os nomes, estão atrizes como Ashley Judd, Jessica Barth, Katherine Kendall, Rose McGowan, Florence Darel, Judith Godreche, Emma de Caunes, Alice Evans e Lysette Anthony, e outras que acabaram desistindo da profissão, como Dawn Denning e Tomi-Ann Roberts. Grandes estrelas como Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Cara Delevingne e Lea Seydoux também vieram a público com histórias similares.

Também é importante mencionar a impunidade presente na maioria desses casos e, principalmente, no que concerne a situações de violência doméstica envolvendo celebridades. Como grandes exemplo há o cantor Chris Brown, cuja carreira não foi afetada após ele ter sido preso e colocado em liberdade condicional por agredir sua namorada à época, Rihanna, que teve que ser hospitalizada. Outro caso mais recente é o do ator Johnny Depp, cuja ex- esposa, Amber Heard, apresentou uma ordem de restrição e um pedido de divórcio com base no abuso sofrido durante o casamento. Apesar da ampla divulgação desse fato a carreira do ator não parece estar comprometida, como pode ser comprovado pela escalação do mesmo como um dos personagens principais na série de filmes “Animais Fantásticos e Onde Habitam”.

Casos como estes se repetem dia após dia em todo mundo. No Brasil, podemos citar alguns nomes como o cantor Netinho de Paula, Vítor, da dupla Vitor e Leo e o ator José Mayer, este último, que como alguns dos nomes citados no decorrer deste texto, achou por bem, se manifestar sobre o assédio que cometeu através de um carta, pondo-se, claramente, no papel de vítima da criação machista que deve. Não podemos negar que o machismo é o grande vilão dessa e tantas outras violências que as mulheres sofrem no passar dos anos, porém, vítima aqui só há uma, a mulher!

PARA NÃO ESCREVER UMA CARTA RIDÍCULA – JOUT JOUT

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