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A nudez feminina sempre foi um tabu, isso porque no imaginário de uma sociedade machista e patriarcal só existem dois tipos de mulheres: as “putas” e as “santas”. As primeiras, são tidas como fáceis, pois têm, ou aparentam ter, uma vida sexual ativa e com mais de um parceiro, se vestem da maneira que bem entendem (decotes, saias curtas, vestidos colados, batom vermelho), gostam de beber, ir à festas e estão repletas de amigos homens. As segundas, por outro lado, são “recatadas e do lar”, são aquelas feitas para casar, cuidar da casa, dos filhos e do marido, além, é claro, de saberem bem qual é o seu lugar e seu papel na sociedade: mãe e esposa exemplar.

As putas são para se ter na rua, por uma noite ou mais. Estão ali para satisfazer o desejo masculino, afinal, é assim que se apresentam, o que elas podem estar querendo andando quase nuas por aí e com aquele batom vermelho? “Ei, gostosa!”, “Ô lá em casa” ,“Fiu, fiu”. E nem vem dizer que elas não gostam, mulher gosta é de chamar atenção por onde passa. Mulher decente não sai assim de casa. As santas? As santas são feitas para por em um altarzinho e ficar admirando.

Pode até parecer exagerado, mas esses pensamentos são embutidos em muitos de nós, homens e mulheres (e até mesmo naqueles que não se consideram machistas), e acabam por se refletir diretamente na forma como a gente enxerga/julga o comportamento da mulher na sociedade.

Você já parou para se perguntar o porquê tantas pessoas se incomodam com uma mulher amamentando em público? Ou ainda, por que é politicamente impróprio uma mulher deixar o seio à mostra, seja num topless na praia ou numa campanha de prevenção de câncer de mama? Mas, por que durante muito anos foi normal mulheres aparecem com os seios descobertos durante os desfiles de carnaval ou serem fotografadas completamente nuas e expostas em páginas de revistas como a PlayBoy?

Eu vou te contar o porquê. Na sociedade em que vivemos, as mulheres ainda são criadas, desde pequenas, para servirem aos homens, mesmo que inconscientemente. Aquela boneca que ela ganha quando criança, a cozinhazinha de brinquedo, que vai ensiná-la a ser boa mãe e dona de casa. A forma como ela é orientada a se vestir, a se portar, para que os meninos a respeitem. O sonho do casamento e da maternidade, como ideal de felicidade. O corpo dessas mulheres é um púlpito sagrado, que dará a luz e, por tanto, não deve ficar exposto não deve ser desejado. Mas o homem é movido pelo desejo, pela libido, pela vontade sexual e, por isso, é preciso alimentar essa vontade dele, nem que seja de forma visual, para que ele não desvirtue aquele terreno santo, por isso os cabarés, a nudez no carnaval, nos filmes adultos, na playboy. Percebem? É o mesmo seio, o mesmo corpo, a mesma mulher. Agora eu te pergunto:o problema está na nudez feminina ou na cultura machista em que somos criados?

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