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Talvez você não tenha percebido, mas a imposição de um padrão de beleza inicia-se desde o berço quando colocam no neném uma roupinha que para além de protegê-lo e aquecê-lo o deixa “mais bonito” aos olhos das pessoas. Tal imposição se amplifica com o passar dos anos e acaba sendo ainda mais forte sob as meninas. Por ser um aspecto de feminilidade, maquiagens, vestidinhos e lacinhos, sem contar aquelas velhas regras: “senta direito, meninas não sentam de pernas abertas”, “tenha modos”, “se continuar comendo desse jeito vai virar uma baleia e não vai arranjar um namorado”, como se desde o início elas passassem a ser doutrinadas para serem exatamente aquilo que a sociedade espera delas e, assim, serem aceitas e reconhecidas.

 

É nesse momento que  se instaura uma busca incessante por um modelo que é imposto socialmente: cabelo liso (ou tratado quimicamente), dentes impecáveis, nariz fino, bochechas pequenas, corpo bem definido ou super magro, roupas de marcas famosas, etc. E a mídia tem um papel fundamental nisso, dizendo o que é bonito o tempo todo, nas novelas, capas de revistas, propagandas publicitárias, concursos de beleza. Padrões atrás de padrões. E essa corrida para uma “aparência perfeita” leva as pessoas e, principalmente, as mulheres, para um exacerbado culto ao corpo tornando-as reconhecidas por sua apresentação corporal, destituindo-as de sua identidade e desvalorizando suas subjetividades, e nessa busca as pessoas deixam de simplesmente querer ser aceitas na sociedade, elas querem é ser conhecidas, endeusadas, valorizadas por sua beleza.


Muitos dos parâmetros citados estão atrelados a procedimentos cirúrgicos e de mudanças radicais. Dados apresentados no site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) que constam no relatório da International Society of Aesthetic Plastic Surgery do ano de 2013, demonstra que o Brasil foi o primeiro colocado em realização de cirurgia plástica no mundo, sendo os procedimentos mais efetuados o aumento de mama e a lipoaspiração. O site Saúde do Grupo Abril destaca que em 2017 esses procedimentos continuam crescendo, mesmo com a exposição de casos como o da modelo Andressa Urach em 2014, que repercutiu nacionalmente após uma séria complicação de saúde por um procedimento mal realizado. Ainda segundo a SBCP a lipoaspiração é o procedimento estético que mais mata no Brasil. E aí, você está disposto a pagar esse preço?

**imagem de Campanha da Victoria’s Secret

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