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Quando uma mulher está grávida e descobre o sexo do bebê, é comum que os pais escolham uma das duas cores para decorar o quarto e comprar as roupinhas: rosa, se for menina, e azul, se for menino. À medida que esse bebê cresce, vai aprendendo com seus pais e com a sociedade quais são os brinquedos e brincadeiras “adequados” para uma garotinha ou um rapazinho (a boneca ou o carrinho). Os ”garotões” vão ser ensinados a gostar de esportes e as “princesinhas” a cuidar da casa. Também serão ensinados a maneira “certa” de se vestir, afinal, é óbvio, que um menino nunca deve usar vestidos e meninas não podem se fantasiar de super-heróis, não é mesmo? Além disso, espera-se que as garotas sejam bem-educadas e emotivas, e os garotos agressivos e ousados. Quando atingirem certo nível de maturidade e tiverem que escolher uma profissão, é esperado que as mulheres tornem-se professoras e enfermeiras e deixem os empregos nas áreas de medicina e engenharia para os homens. Em seguida, é esperado que a mulher se case assim que possível e assuma o seu papel social como mãe e esposa.

Percebeu alguma coisa errada até aqui? Não? Pois é, e aí que mora o problema. A  imposição desta construção social do gênero é tão comum que mascara o tratamento desigual e injusto, chamado de sexismo, que reflete grandemente nas oportunidades das mulheres, ou deveria dizer, na falta delas. Como exemplo, pode-se citar a ínfima presença de mulheres na política e em cargos de alta importância e prestígio. Segundo uma pesquisa realizada pela SPM em 2016, as vereadoras brasileiras representam apenas 13,5% do total de cargos correspondentes nas Câmara Municipais, já no Congresso Nacional, as senadoras são apenas 12 entre os 81 eleitos e na Câmara dos Deputados, elas ocupam apenas 50 das  512 caseiras parlamentares.

Como podem ver, os papéis de gênero não possuem caráter universal, eles são construídos histórica, social e culturalmente. Dessa forma, a imposição de estereótipos de gênero já começa antes mesmo do nascimento, se estende durante toda a infância e é repercutida pelo próprio indivíduo quando alcança a vida adulta, influenciando diretamente na história de cada um de nós e na sociedade que construímos.

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