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Quais estratégias são efetivas para promoção do debate sobre gênero?

Primeiro que essa discussão só atinge uma parcela de pessoas, que justamente são as pessoas que se sentem violadas, que sofrem com os preconceitos, com o machismo e o patriarcado. Os quais, que de certa forma, são reproduzidos de forma “natural”, visto que as reflexões sobre como esses processos são cruéis e nocivos, não atinge quem os pratica.

Isso é consequência direta do usufruto dos privilégios que esse grupo da população tem, tais pessoas nunca passaram por situações de ridicularização por expressarem seu gênero ou sofreram abuso pela roupa que vestiram. Por isso, acabamos dialogando só entre nós mesmos, só discutimos tais violações com nossos pares: mulheres, gays, lésbicas, transexuais, travestis e etc.

Temos vivido tempos de retrocesso e enfraquecimento de direitos conquistados a duras penas, as instâncias deliberativas são ocupadas por pessoas que se utilizam de fundamentalismos e perspectivas de moralidade que não dialogam com a instituição da democracia e defesa de direitos da população como um todo. A retirada das discussões sobre gênero dos Planos de Educação é um exemplo disso.

Tais movimentos são os grandes inimigos do enfrentamento às violências de gênero, visto que a mudança só pode acontecer através da educação, do conhecimento transmitido para as bases. Então aqui, coloco o questionamento, quais estratégias são efetivas para promover as discussões sobre gênero e atingir quem causa essa violência?  

Como conseguimos realizar atividades efetivas de enfrentamento a tais retrocessos, como definimos estratégias efetivas para promoção da igualdade de gênero, se as tomadas de decisão estão nas mãos de quem não as leva em consideração? Se a força de mudança reside nos políticos que só enxergam benefícios individuais e se debruçam no enfrentamento sobre todo e qualquer avanço nos direitos dos grupos populacionais que são historicamente prejudicados.

Me angustia muito fazer esse trabalho que temos considerado tão importante e que dá aquela aquecida no coração, e, não atingir os resultados que esperamos, que é justamente a construção de uma sociedade justa pra todo mundo, em que as oportunidades estejam ao alcance de todos e todas, de que a representatividade existente na política seja realmente resultado direto das demandas da população que mais precisa.

O trabalho de pensar em conteúdo, levantar dados, informações que são relevantes, desenvolver a forma de transmitir a mensagem, de sensibilizar a população sobre os temas e quando chegamos nos espaços, encontramos nós mesmos. Me enxergo nos militantes LGBT+, me sensibilizo sobre a situação de mulheres que foram vítimas de violência, das outras que ocupam lugares importantes na sociedade, mas por vezes nesses mesmo espaços, sofrem as violências veladas dos colegas de trabalho e entre as outras tantas situações que enfrentamos todo dia.

O que podemos fazer, no final das contas?

 

Mathaus Ranie, é coordenador do Grupo de Trabalho de Gênero

Créditos da imagem:  © European Union 2015 – European Parliament

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