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Durante esse mês, passamos um tempo conversando com a Midori Motoki. Nesse papo, partimos daquela conversa de saber o momento em que estamos e daí surgiu um entendimento, sobre racismo,  mas que havia pouco tempo que ela tinha reconhecido. Numa rápida busca, encontramos que “racismo consiste no preconceito e na discriminação com base nas percepções sociais baseadas em diferenças biológicas entre os povos”.
Contou sobre um rolê que não conhecíamos “o conceito de minoria modelo” que tinha surgido nos Estados Unidos, durante a década de 1960. “A pessoa asiática se acostuma a ser comparada a uma pessoa dedicada, bem sucedida e passiva”, disse Midori, quando se referia aos problemas sociais que são mascarados por esse achatamento da identidade asiática.

Tendo a imigração começado no Brasil há pouco mais de 100 anos, a história japonesa no Brasil ainda é recente. Algumas famílias chegaram com posses, mas muitos vieram com quase nada e foram trabalhar na agricultura. E apesar do enorme choque cultural, seus avós persistiram e conquistaram muitas coisas

Mids, como a chamamos no Engajamundo, conta que por ter uma vida confortável junto ao irmão, totalmente diferente da dos pais, que passaram dificuldade, ela demorou a associar as situações passadas por ela como racismo. Quando a questionamos o porquê dela só ter despertado para essa realidade ela escreveu um parágrafo breve contando:

“A história negra no Brasil é mais extensa e violenta, e tive por muito tempo em mente que esse seria o único tipo de racismo. Por quê e quando desconhecidos ficam a uma distância perturbadora para ver seus olhos exóticos? E quando riem e gritam palavras aleatórias em japonês e/ou chinês? E quando falam que japonês é tudo igual (japonês significando qualquer asiático)? Quando falam como japonesas são feias, assim, do nada? Quando caras ficam te seguindo na internet e fisicamente porque querem namorar japonesas, por todas serem meigas e delicadas? Quando vem perguntar sobre sua genitália? Quando falam para você voltar para o seu país? E quando, convenientemente, sou entendida como branca (“nada a ver essa revolta de branco interpretar japonês. Você é quase branca!”)??”

Das perguntas que estão no parágrafo, algumas fazem menção ao que ela sente como mulher, asiática e jovem. Na porta dos 29 anos, ela confessa que era ativista de internet (quer fazer textão no facebook?! chama a Midori!) e as referências que fizeram parte desse momento alternavam entre os canais “Põe na Roda”, “Canal das Bee”, “Para Tudo”, “Jout Jout”, “Afros e Afins”, e “Mandy Candy”; tudo muito por curiosidade e para que ela se pecebesse no feminismo (que até pouco tempo antes era uma palavra somente pejorativa para ela).

Quando a Flá (Coordenadora do Comitê Facilitador) me contou que tinha um grupo de gênero no Engaja, eu vi a oportunidade de realmente fazer algo pelo tema… Eu só estava na militância do Facebook, compartilhando o que eu achava relevante e tal. Por fim, o que realmente me motivou foi poder participar de ações no tema de meu interesse.”

Ela abriu o coração para dizer que se sentia muito representada  dentro do Engajamundo, quando se diz respeito a representatividade, contudo com um porém que precisa ser destacado!

Eu, como mulher cis, hétero, não me sentia confortável de falar pelo movimento LGBT, por exemplo, assim como o  Pê  (fomos coordenadores do GT de gênero juntos <3), homem, cis e gay, nem sempre sentia que era local de fala dele também quando se fala de pessoas trans, por exemplo, o  ideal seria ter uma pessoa trans falando, mas infelizmente não tínhamos ninguém com esse perfil. Acho que são coisas que acontecem, e tudo bem. E acho que a galera do Engaja, no geral, tem essa compreensão de representatividade e local de fala.  Agora, com a Mari e Mathaus (atuais coordenadores do grupo de trabalho de gênero), conseguir contemplar é um desafio que estão conseguindo atingir. Fico super feliz em ver e aprender com essa evolução!”

Para nós do Engaja, a participação de jovens de diferentes militâncias, orientações sexuais, etnias e valores é o que mais traz crescimento para a rede! Temos mudado nosso jeito de aplicar nossas formações e nos comunicar internamente e externamente, para tentar atingir cada vez mais jovens e todos se sentirem em casa. Esse ano estamos empenhados em aumentar a diversidade da nossa rede e isso traz questionamentos e desafios como esses trazidos pela fala da Midori. Quer sair do ativismo virtual e colocar a mão na massa como a Mids? Quer se juntar a nós? Entra no site e se inscreva!

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