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O Dia Internacional da Biodiversidade, comemorado em 22 de maio, foi instituído pela ONU em 1992 e tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância de proteger e conservar a diversidade biológica. E por que devemos falar sobre esse assunto? A biodiversidade é fundamental para assegurar a manutenção da vida, tal como a conhecemos hoje, na Terra. Mas, para falarmos sobre proteção da biodiversidade, primeiro é importante conhecê-la e compreender as suas múltiplas interrelações. A variedade de espécies é apenas um dos componentes que fazem parte desse conceito.

Também devemos levar em consideração a diversidade genética entre as espécies e a diversidade de ecossistemas. Esses elementos estão conectados entre si e são responsáveis por uma série de benefícios que usufruímos, de forma gratuita, da natureza, tais como água potável, alimentos, solo fértil, ar puro e muitas outras coisas que não se podem sequer dimensionar ou contabilizar.

A importância de falarmos sobre isso é ainda maior quando vivemos em um

país como o Brasil, detentor de aproximadamente 20% do total de espécies do mundo, recebendo, portanto, o título de país mega diverso. Além dessa riqueza natural, não podemos deixar de mencionar a diversidade cultural existente no nosso território, em parte representada pelos povos indígenas e pelas comunidades tradicionais. Isso gera uma responsabilidade ainda maior no que diz respeito à necessidade de assegurar meios que garantam uma correta gestão dos recursos naturais, a repartição de benefícios oriundos do acesso ao conhecimento tradicional dessas populações, assim como garantir condições dignas de sobrevivência, reconhecendo os mais variados modos de vida dos povos existentes no Brasil.

Apesar disso, estamos vivendo uma onda de retrocessos que ameaçam diretamente essa sociobiodiversidade, tão presente e significativa no nosso país. Os projetos de lei que buscam o desmantelamento do licenciamento ambiental, instrumento de caráter preventivo e de grande importância nacional, que visa evitar, mitigar ou reduzir os impactos gerados pelas grandes obras e projetos prejudiciais do ponto de vista socioambiental, as Medidas Provisórias nº 756 e 758, ambas de 2016, que pretendem diminuir consideravelmente espaços protegidos no oeste do Pará (como o Parque Nacional do Jamanxim e a Floresta Nacional do Jamanxim), por meio da recategorização de mais de um milhão de hectares que hoje gozam de uma proteção mais robusta, em “Áreas de Proteção Ambiental”, modalidade de unidade de conservação muito mais permissiva, que autoriza a realização de atividades nocivas ao meio ambiente e a privatização e venda de áreas. O mesmo ocorre com o desmonte da Fundação Nacional do Índio (FUNAI). Estes configuram apenas alguns exemplos desse cenário crítico atual.

É preciso, mais do que nunca, visualizar alternativas e apoiar projetos que reconheçam o valor da nossa biodiversidade e que visem ações voltadas à sua conservação por meio da promoção do seu uso sustentável. Um exemplo disso é o Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS), coordenado pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), e que já apoiou diversos projetos de comunidades tradicionais e povos indígenas que prezam pela proteção da biodiversidade mediante o uso sustentável dos recursos naturais.

Não podemos deixar de mencionar também como uso alternativo da biodiversidade com vistas a conservá-la e gerar renda às comunidades locais o turismo sustentável, tema escolhido para representar o Dia Internacional da Biodiversidade em 2017. Temos no Brasil vários exemplos de locais onde o turismo sustentável funciona. Uma cidade conhecida nacionalmente pelo seu potencial turístico é Bonito, no estado de Mato Grosso do Sul. Por lá, o controle de turistas é feito virtualmente e cada um ganha um voucher antes de ir para a cidade. Isso foi uma forma pensada para tentar diminuir os impactos pela quantidade de pessoas que visitam o local, visando sempre a preservação do ecossistema local. Indo mais ao norte do país, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, na Amazônia, existe a comunidade de Anã, uma comunidade ribeirinha pioneira no ecoturismo paraense. Um local onde é possível fazer visitas a projetos de criação de abelhas (apicultura) e produção de ração orgânica pelos próprios comunitários. Além disso, pode-se visitar as praias e casas das famílias que vivem na reserva, com direito a comidas regionais preparadas pelas famílias, como farinha de mandioca, tacacá, tapioca, peixes, caribé, entre outras iguarias. Tudo isso em busca da harmonia com o turismo, a conservação da biodiversidade e das comunidades.

Seja com o turismo sustentável ou com outras alternativas, devemos buscar maneiras de conservar a biodiversidade em todas suas formas, proteger os ecossistemas e, acima de tudo, percebermos que somos apenas mais uma espécie dentre tantas, e que todos possuem o mesmo direito à vida nesse planeta que é nossa casa coletiva.

Texto escrito por: Júlia Norat e Luísa Falcão

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