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No Engajamundo desde 2015, Alana Manchineri é do Estado do Acre e tem 26 anos. Como uma jovem mulher indígena, ela nos desafia e garante que as pautas ligadas a juventude indígena estejam contempladas nas atividades dos nossos grupos de trabalho. Ela faz parte da Comissão Nacional de Juventude Indígena/CNJI e de um grupo de pesquisadoras pela Universidade Federal do Acre/UFAC, onde desenvolve o projeto “Desfazendo Preconceitos”, que aborda um pouco da cultura indígena do Acre nas escolas de ensino fundamental, médio e universidades.

A participação da Alana já nos inspirou muito, principalmente quando a conhecemos no Encontro Nacional do Engajamundo em 2016. Naqueles três dias de Encontro vimos uma mulher muito forte, que luta pela permanência e existência do seu povo, mas que para se manter na luta precisa enfrentar desafios que deixam marcas internas. Para escrever esse texto, fui conversar com a Alana para entender como têm sido a sua experiência no Engaja.

A Alana contou que é bem comum se deparar com questionamentos preconceituosos em ambientes que teoricamente são mais desconstruídos, como universidades:

“Os alunos nos bombardeiam com perguntas e afirmações um pouco estranhas, como: ‘então quer dizer que índio bebe Coca-Cola? Índio tem celular?; Índio tem muito direito; Índio…’ Nossa primeira fala sempre é explicar que o termo “Índio” foi criado pelos portugueses, achando que estavam chegando nas Índias Orientais. Geralmente percebo que muitas pessoas usam da palavra para manifestar discursos de ódio em relação ao meu povo.”

Durante esse papo, acabamos chegando no assunto empatia com relação ao movimento indígena. Nessa conversa, a Alana disse se sentir ferida quando escuta frases como as anteriores, mas que se questiona a todo momento se as pessoas que falam assim realmente entendem o que  estão dizendo. “Sempre acabo caindo em perguntas mais internas do tipo “como não podemos ter os mesmo direitos? Já nos massacraram durante 516 anos… Não merecemos respeito?”

Em uma conversa que tivemos pelo whatsapp, alguns dias depois do Encontro Nacional, contei sobre algumas experiências que os membros do Engajamundo tiveram em  um eventos sobre povos indígenas, como por exemplo na 60ª Comissão sobre o Status da Mulher (CSW60).  A Alana me respondeu com a seguinte reflexão: “somos invisibilizados pelas políticas públicas. Chegam a pensar que somos o ‘Índio’ do primeiro contato, mas somos contemporâneos e resistiremos todos os dias até nossa voz ser ouvida. Porém, percebo que desconstruir esses conceitos é um pouco da minha contribuição para o mundo.”
Por fim, já que havia tocado no assunto de desconstrução de conceitos, me deixei levar e lancei a seguinte questão “no Engajamundo existe uma variedade de pessoas de diferentes regiões, como você vê essa oportunidade para o seu ativismo do dia-a-dia?” Ela respondeu começando com a seguinte frase “me senti bem à vontade com esse monte de gente diferente”. Acrescentou que essa grande variedade de vivências, de realidades, idades e regiões proporcionou que ela pensasse em novas formas de atuação no movimento, de sair da caixinha, se reinventar, além de conseguir ter uma percepção mais colorida e rica da vida.

Finalizamos a nossa conversa quando me contou que o bom das redes é que nos conectam possibilitando que a gente consiga acrescentar e alcançar mais pessoas. “Vejo o Engaja como uma oportunidade de crescimento no meu ativismo e de amor ao próximo <3”. E nos despedimos com aquela sensação que todos acabam sentindo no Engaja, “tenho uma amiga que faz a diferença na sociedade!”

 

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