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Por Vanessa Matos, da nossa delegação para a #COP22.

Quando pensamos na Conferência de Clima da ONU, imaginamos um debate político muito forte, pessoas engravatadas, líderes mundiais, palavras complicadas e muita coisa chata rolando… o que de fato existe, mas muitas vezes esquecemos de mencionar uma parte fundamental disso tudo: o ativismo que acontece dentro das COPs. E na maioria das vezes, essas ações são propostas por jovens.

É muito importante ter a juventude fazendo parte disso tudo e ter jovens como nós inseridos nos debates. É mais gratificante ainda perceber toda a garra e motivação dos jovens quando se trata de ativismo. Desde a primeira semana rolaram atividades como plantios, teatro, dança e tantas outras manifestações artísticas – principalmente dentro do espaço da ONU. Isso é sensacional, já que uma ação muitas vezes tem um impacto muito mais relevante do que acompanhar uma negociação ao conseguir de fato expressar a nossa opinião.

Mais incrível ainda foi ver que boa partes das ações realizadas contaram com a colaboração de diversos jovens e ONGs. Realizamos pequenas reuniões para fazer um repasse geral das ações idealizadas pelas organizações e dessa forma todos acabavam contribuindo com ideias. Esse foi um grande passo para tornar as ações mais inclusivas e representativas. E é claro que o Engaja estava sempre colado nas ações e colaborando com o que fosse necessário. A ideia de promover muitas ações fez brilhar os nossos olhos e animou a delegação.

A ação “pare de falar, comece a plantar” (Stop talking, start planting), por exemplo, foi um momento lindo e tocante em que três organizações – a Plant for the Planet, a Earth Child Institute e nós do Engaja – se juntaram para realizar o plantio de uma mini agrofloresta, lá dentro do espaço da COP mesmo.  O objetivo era mostrar como é importante utilizar esse tipo de técnica, que entra em harmonia total com o solo e com tudo que está ao nosso redor. O Freeze Fossil Fuels (“Congele os combustíveis fósseis”) organizado pela 350.org também foi um sucesso. Inspirada na moda do mannequim challenge, a mais nova sensação da internet, a 350 filmou a galera vestindo camisas com a mensagem de que é preciso parar de usar essas fontes de energia para que possamos alcançar metas que nos levem aos 100% de energias renováveis.

Ação "Stop talking, start planting"

Ação “Stop talking, start planting”

Entre as cenas mais emocionantes que pude presenciar aqui dentro, a que mais se destacou foi a ação realizada por jovens americanos após os resultados das eleições nos Estados Unidos. A notícia da eleição do Trump caiu como uma bomba no colo de todos aqui e o dia tornou-se pesado e cheio de tensão. O sentimento de incerteza e de impotência diante dos resultados foi unânime, mas os jovens americanos queriam falar, e alto, para que todos entendessem que a luta deles não iria acabar independente do resultado das eleições. Houve um grande momento em que vários jovens se apresentaram, expuseram as suas opiniões e clamaram por justiça climática. Jovens de todas as partes do mundo expressaram sua solidariedade; unidos, abraçados, em comunhão pelo bem do nosso planeta.

Memorial de espécies

Memorial de espécies

Ainda falando em muita emoção, outra ação que tocou bastante o público foi o memorial de espécies a caminho da extinção.  Nós mesmos do Engaja que lideramos a atividade; o lado artístico dos nossos articuladores entrou em ação e encenamos um funeral para as espécies que estarão em perigo de extinção em a alguns anos, caso o aumento da temperatura do planeta não seja combatido. A ação mostrou o quanto podemos fazer mal a biodiversidade do nosso planeta se não controlarmos nossas emissões e mudarmos o nosso modelo energético.

 

Uma outra ação que tomou grandes proporções e se tornou bastante caótica foi a Marcha Mundial pelo Clima. No domingo (13 de novembro) várias organizações de sociedade civil foram às ruas de Marraquexe marchar em prol do clima, exigir investimento em energias renováveis, extinção dos combustíveis fósseis, proteção das comunidades tradicionais, indígenas, da biodiversidade, e pedir por um mundo melhor onde todos nós possamos viver em comunhão e respeitando o nosso lar. Foi incrível poder participar disso tudo, ver o quanto estamos conectados pelo mesmo propósito com tantas pessoas diferentes. Perceber que a tua luta é a luta do outro é simplesmente mágico, te motiva, te orienta a sempre marchar nesse caminho e mostra que a tua luta nunca será em vão.

Mas no meio de tanta sinergia e bons sentimentos algo incomodou bastante a todos. Uma desavença entre indígenas e comunidades locais carregou uma nuvem negra para a ação e esse sentimento chegou até dentro do espaço da ONU. Os indígenas tinham o seu lugar frente a marcha, um destaque para a situação especialmente vulnerável desses povos. Porém os grupos locais acharam que esse destaque deveria ter sido dado para a situação que ocorria no Marrocos, o que gerou desconforto, fazendo com que os indígenas sentissem a sua causa perdendo espaço.

Marcha pelo Clima

Marcha pelo Clima

Mesmo com todos esses contratempos, as ações que têm ocorrido dentro desse espaço demonstram a legitimidade e força dessa luta; principalmente, têm mostrado que nós, jovens, estamos de olho em tudo o que está acontecendo e estamos agindo pelo que acreditamos. Muito já foi feito até aqui, é verdade, mas muito ainda precisa ser feito. Essa é a COP das Ações, então vamos levar esse sentimento de luta e obrigação com o nosso lar para dentro das nossas casas, bairros, cidades e países e vamos tornar esse mundo um mundo melhor e digno para toda e qualquer comunidade. O mundo está mudando e nós podemos mudá-lo para melhor.

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