In Blog, Clima, GTs

Por Bia Azevedo, articuladora do nosso GT de Clima.

Há 3 anos eu sigo as negociações de clima com o Engaja. Eu lembro da minha primeira COP, na Polônia, e lembro exatamente do momento em que eu caí na real e vi que a COP não era bem o que eu sonhava. Aqui as mudanças acontecem na velocidade incrível de… um acordo a cada 22 anos (e não vamos entrar no tema de implementação, não quero ninguém cortando os pulsos). Daí vocês imaginem os pensamentos que se passaram pela minha cabeça quando me chamaram pra falar, logo no começo da conferência, em um evento sobre as expectativas da juventude pra COP 22. Primeira coisa que eu pensei foi: esses governos tão nem aí pra mudanças climáticas, vamo zerar a humanidade e começar de novo… vou ter que segurar minha língua.

Mas vamos lá. Fui pro evento. Comecei dizendo que a ambição do Acordo de Paris é pequena em relação ao tamanho do problema. A meta de manter o aumento da temperatura média no planeta em 1,5 grau Celsius é lindamaravilhosa, mas eu fico me perguntando como os países vão conseguir cumprir o acordado quando a indústria de combustíveis fósseis continua a todo vapor (literalmente). A COP 22 deveria ter sido o momento pra aumentar a ambição e discutir implementação. Mas passou longe do que precisamos. Ainda por cima, temos um problema no meio do caminho: nossos governos não nos representam mais. As eleições municipais no Brasil foram uma amostra disso, em que a maioria das pessoas preferiu votar nulo ou em branco. O nosso atual presidente é considerado ilegítimo por uma boa parcela da população. Estados Unidos elegeu um louco e negacionista climático para comandar a nação.

Então, minha pergunta é: e agora, José? Eu não ousaria responder com uma resposta definitiva, principalmente porque acho que não será apenas um caminho para sair dessa crise, serão vários. Dito isso – eu tenho algumas ideias que fervilham na minha cabeça, as quais eu gostaria de compartilhar. Todo o poder dos nossos governantes emana de nós, e esse é o momento de retomá-lo da mão de pessoas que não nos representam.

A juventude tem um papel crucial nesse processo. Nós temos uma capacidade de ação inigualável; temos energia, temos ideias e temos, acima de tudo, amor no coração. Está na hora de fazer toda a diferença que pudermos, com o que tivermos e onde estivermos. Então, se você é jovem, está lendo esse texto e se perguntando qual o próximo passo, não olhe pra fora, não olhe pra cima (pra um governo que não dá a mínima se você vai viver ou morrer). Olhe pra dentro de si, a resposta esteve em você desde sempre, e seja a mudança que você quer ver.

Leave a Comment

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.

Conta aí

Tá com dúvida? Pode mandar um email pra gente!

Not readable? Change text. captcha txt

Start typing and press Enter to search