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Por Maria Eduarda Gasparotto

O desmatamento pode parecer uma questão nacional brasileira, mas influencia diretamente a posição do nosso governo aqui na Conferência de Clima da ONU (COP22). É um grande problema do nosso país – só no primeiro semestre de 2016, por exemplo, o Brasil quebrou seus recordes anteriores de queimadas, o que acaba por trazer conseqüências graves para a preservação das florestas, assim como para as pessoas e para o clima.

Na real, o problema se agrava cada vez por causa da falta de ambição dos nossos governos para resolver este problema; falta vontade política tanto do governo atual quanto dos governos passados. Assim, enquanto isso, o cenário de destruição das florestas continua frente aos incêndios que se alastram e as matas que desaparecem ilegalmente.

Já faz mais de um ano que o Greenpeace entregou um Projeto de Lei pelo Desmatamento Zero no Congresso Nacional, mas avançamos pouco desde então. Agora, é necessário pressionar o Governo para que o projeto siga adiante! E é preciso que seja logo, afinal o Brasil ratificou o Acordo de Paris com o intuito de comprometer-se seriamente com as questões climáticas. Para isso, a questão do desmatamento deve ser considerada, analisada e finalmente, resolvida de acordo com os moldes do desmatamento zero.

Afinal, os países se comprometeram a reduzir drasticamente as emissões de GEE com o Acordo de Paris, com o objetivo de manter o aquecimento da Terra em até 1,5 Cº. O desmatamento corresponde à cerca de 40% das emissões brasileiras. Portanto, tratar desse enorme problema seria a forma mais rápida e eficiente de o Brasil cumprir sua promessa. Entretanto, o nosso país parece andar na via inversa. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou a taxa consolidada de desmatamento na Amazônia* entre agosto de 2014 até julho de 2015, e o número passa de 6 mil km². Isso representa um aumento de 24% em relação ao período anterior.

Mas a boa notícia é que há solução para o desmatamento –  as medidas necessárias só precisam ser colocadas em prática, e logo, através da adoção do Desmatamento Zero. Pensando nisso, os parceiros da ONG IPAM Amazônia delinearam algumas dessas soluções:  

  1. O estabelecimento de uma proteção sócio-ambiental para a região amazônica, no intuito de cuidar da região, uma vez que existe forte demanda de estabelecimento de projetos na mesma, tais como hidroelétricas, grandes estradas e entre outros..
  2.  A consolidação e a expansão de incentivos positivos para o desenvolvimento sustentável de commodities, como por exemplo a agricultura do baixo carbono.
  3. O estabelecimento de uma nova política que garanta a sustentabilidade social e do meio ambiente, visando a melhoria das práticas rurais.
  4. A total implementação do Código Florestal Brasileiro, estimulando a inovação dos mecanismos de mercado.
  5. A proteção dos direitos indígenas e das comunidades tradicionais da região amazônica.
  6. A expansão da proteção de áreas que não possuem donos e também não são protegidas de maneira alguma. Assim, visa-se estender a preservação dessas terras e nelas, implementar o uso de madeira de forma sustentável, ou apenas deixá-las como área resguardada.

Lendo todas essas idéias para lidar com esse desafio, só nos resta saber se nosso país realmente está disposto a desbravar o “Desmatamento zero”. Afinal, não temos mais tempo para ficar em cima do muro não é? Deve ocorrer uma mudança de atitude já, pois caso contrário, não sobrará nada para as gerações vindouras.

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