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Por Eduarda Zoghbi

A primeira semana da COP22 foi marcada por inúmeras discussões relacionadas às mudanças climáticas, um dos temas de maior destaque foi o papel das mulheres em um mundo que está ficando cada vez mais quente. A rede Women & Gender Constituency, que atua no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC) está organizando todos os dias de manhã reuniões para dar espaço a mulheres de todos os lugares do mundo para que falem sobre suas dificuldades que só crescem com o aquecimento global.

A partir dessa iniciativa, elas comemoraram no dia 9/11 o dia da mulher africana dentro da conferência. Mulheres que representavam o norte, sul, leste e oeste do continente africano compartilharam o impacto que o aquecimento tem sobre a agricultura, a água, a saúde e sobretudo a política. A maior parte delas trabalham em fazendas, para sustentar suas famílias, algo que é lei em seus paises. O problema é que com o aquecimento, a falta de água para irrigar os solos e a mudança brusca de clima em momentos em que a chuva é esperada, diminui muito a produção agrícola.

Uma representante do Chad compartilhou com a plateia que cada vez mais os homens deixam suas mulheres em busca de comida e melhores condições de vida. Nessa situação, a mulher se torna responsável não apenas pelo filho mas também pelos outros membros da família que ficaram para trás. Enquanto isso, a falta de representação política nos espaços de tomada de decisão deixa as mulheres mais vulneráveis, levando elas a trabalharem o dobro para se manterem nessas condições.

A ONG holandesa BothEnds abordou o tema em um outro evento, contando com a participação de um representante da Agência de Meio Ambiente de Zimbábue que relacionou gênero, mineração e energia. Vários países africanos são foco de exploração mineral por grandes indústrias, e as consequências dessa exploração impactam não só as mulheres mas a população como um todo. O maior impacto de todos é na saúde da população que sofre com a falta de água potável para o consumo.

Grande parte dos problemas citados nas discussões de gênero da COP22 se relacionam com a necessidade de um financiamento mais direcionado às populações que mais carecem, e pela mulher ter pouco espaço na política doméstica, ela não tem voz para fazer essa reivindicação. Apesar de um dos pontos focais da discussão ser as mulheres africanas, esse é um dilema que mulheres no mundo todo vivem.

A rede do Women & Gender Constituency concordou com as demandas feitas nas reuniões de gênero de que o direito das mulheres no Acordo de Paris está restrito ao preâmbulo do documento, e isso não é suficiente, devendo também haver esse reconhecimento nas cláusulas de financiamento e adaptação. O pedido de inclusão será avaliado pelo secretariado da UNFCCC durante a COP22, e enquanto isso, as pressões para haver mais inclusão de gênero nas discussões continua crescendo.

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