In Blog, GTs, Habitat III

Por Raíssa Lira, paraense morando em Santa Catarina e parte da delegação da Habitat 3!

A delegação do Engaja está em Quito acompanhando a conferência Habitat III, onde será assinada a “Nova Agenda Urbana”. Esse documento vem sendo negociado ao longo dos últimos dois anos e nele, os países apresentam três princípios-guia para sua visão: não deixar ninguém para trás, buscar economias urbanas inclusivas e sustentáveis, e promover a sustentabilidade ambiental. A visão da Nova Agenda Urbana fala, ao mesmo tempo, em erradicação da pobreza e em alta produtividade, em proteger os nossos ecossistemas e prevenir a especulação da terra, em assegurar a participação social e promover estilos de vida mais saudáveis.

A agenda se sustenta nesses três pilares – social, econômico e ambiental. E pela primeira vez em um documento oficial da ONU, se reconhece a necessidade de garantia do direito à cidade. Entre os compromissos sociais da Nova Agenda Urbana, a promoção de cidade inclusivas recebe bastante destaque. A agenda recomenda que governos nacionais e locais trabalhem juntos para promover políticas inclusivas e sustentáveis de planejamento das cidades.

Bem legal, né não??

Mas… parece que a Habitat III não têm nem mesmo conseguido colocar em prática essas recomendações na sua própria organização. A primeira impressão já rolou na hora de fazer o credenciamento para a conferência: de jovens até idosos, os participantes do evento enfrentaram filas de mais de 4 horas embaixo de um sol de rachar para conseguir sua identificação. A falta de informações e de voluntários que soubessem instruir os participantes causou grande confusão; mal dava pra saber se você estava na fila certa. Outros ponto negativo foi a falta de preparação da segurança, especialmente da polícia local que claramente teve com pouco (ou nenhum) treinamento sobre o funcionamento e a estrutura do evento.

A conferência têm demonstrado um grande descaso com todos os participantes comuns, que não fazem parte de delegações oficiais ou de organizações credenciadas pela ONU. Só pra entrar na conferência, a fila pra essas pessoas chega a demorar 3 horas. E ainda mais: esse descaso é ainda pior com a galera do próprio Equador. No sábado, logo antes do ínicio da Habitat 3, aconteceram as Assembleias das Mulheres e das Crianças e Jovens… tudo em inglês sem tradução. Em um evento da ONU com visibilidade internacional e com 45 mil inscritos vindos de diversas parte do mundo, consideramos que essa é uma falha bem grave né non?!

Por fim, é difícil falar sobre inclusão ao levar em consideração que o documento foi construído com pouca participação de grupos sociais diversos como indígenas, negros, LGBTQIs, refugiados, jovens, mulheres e moradores de periferias. E afinal, a maioria da população não tem nem condições de pagar 10 dólares em um almoço – que é o preço da refeição na maior parte dos espaços dentro da conferência.

Até agora vimos poucos esforços para alcançar a inclusão que o texto da conferência tanto prega. Assim não dá nem pra te defender, Habitat 3…

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