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Olár, amiguinhxs!

Estamos aqui hoje pra falar um pouco da segunda fase da campanha Moças no Clima e o porquê de nos engajarmos nessa pauta. Bom, kiridxs, a campanha Moças no Clima #ElaVeioQuente, teve diversas formações, pelo Brasil inteiro sobre as questões e problemáticas de gênero em associação as mudanças climáticas. Mas, o que uma coisa tem a ver com a outra? Então, tem tudo a ver, e o ponto inicial é que mulheres do mundo todo são diretamente afetadas pelas mudanças climáticas, catástrofes ambientais e por políticas mal gerenciadas em relação ao meio ambiente.

As mulheres já estão em uma posição social de maior vulnerabilidade. Quando ocupam contextos infelizmente mais marginalizados, como por exemplo, mulheres que vivem em ambiente rural, de manguezal, mulheres indígenas, marisqueiras, entre outros grupos, ainda sofrem com diversos aspectos de violência estrutural. Esse é o tipo de violência que já está tão inserida nas políticas, nos aspectos culturais e sociais, no Estado e etc., que muitas vezes a pessoa que a sofre não consegue sequer percebê-la para poder procurar se livrar dela.

Mas antes de tudo… já que estamos falando de mudanças climáticas, meio ambiente, catástrofes e políticas ambientais, que tal a gente pensar também naquela coisinha – conhecida por todos nós – chamada Desenvolvimento Sustentável – essa categoria que devemos sim SEMPRE problematizar quando der. O desenvolvimento sustentável não deve ser pensado unicamente sob uma vertente econômica, algo que nos faça sair por aí colocando selos verdes em tudo pra continuarmos nos “desenvolvendo” de uma forma que ainda vai ser prejudicial ao meio ambiente e que pouco contribui para um repensar da distribuição de recursos que todos nós precisamos hoje em dia. Colocando assim, aliás, a gente já percebe que desenvolvimento não deve olhar só pra economia, mas também pra questões sociais. É preciso pensar numa melhor gestão de recursos, seguindo princípios de equidade e de igualdade no futuro, para que as próximas gerações não precisem sofrer com nenhuma escassez de algo que podemos proteger hoje (isso de chama equidade intergeracional, esse conceito é bem legal, pesquisa mais sobre depois 😉 ). Dessa forma tudo que esteja relacionado a desenvolvimento sustentável também se liga diretamente a questões sociais como por exemplo desigualdades, saúde, educação e gênero.

Uma das maiores manifestações disso é a própria agenda global dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, que dentre seus 17 objetivos encontra no de número 5 #HighFive a igualdade de gênero como uma categoria essencial para um desenvolvimento sustentável realmente pleno e para todos e todas. Os ODS são uma agenda bem grande com 169 metas globais, e estes funcionam como uma continuação da agenda anterior dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que eram 8 objetivos e 22 metas.

Destaca-se que nos ODM nós tínhamos o objetivo de número 3, que também visava a igualdade de gênero e o empoderamento das meninas e mulheres. Um de seus indicadores considerava a percentagem de mulheres assalariadas no setor não-agrícola, isso mesmo, não-agrícola, ou seja, até pouco tempo atrás o trabalho rural, por exemplo, nem era considerado para os indicadores de uma agenda dita para o desenvolvimento sustentável. Isso é uma questão bem problemática, principalmente se pensarmos que o desenvolvimento deve ser pensado muito além de uma formação urbana, principalmente considerando as cidades que temos hoje.

Muitos movimentos sociais têm pautado o quão é importante que se insira a problemática de gênero dentro do debate sobre meio ambiente e mudanças climáticas. No ano passado, durante a Marcha das Margaridas que ocorreu em Brasília, milhares de mulheres rurais levavam o lema “sem feminismo, não há agroecologia” pelas ruas.marcha

O que elas queriam dizer é que o feminismo também está nas pequenas resistências de mulheres, por exemplo, ao plantar sua própria horta em uma parte do terreno da casa, na agricultura de subsistência familiar. Nessa e em diversas outras situações protagonizadas por mulheres que está muito da contribuição para uma agricultura mais ecológica e que substitui as grandes estratégias do agronegócio – que é um dos grandes responsáveis pela grande quantidade de agrotóxicos presentes nos alimentos hoje em dia, por exemplo. O que questionamos é que infelizmente essas experiências e vivências ainda são pouco ou não reconhecidas pela dita alta política, o que seria essencial ao pensar uma política ambiental que realmente pudesse ser transformadora socialmente e ambientalmente para estas mulheres e para facilitar o acesso destas a recursos.

Por um mundo de menores vulnerabilidades, onde a equidade seja princípio e a igualdade não seja um sonho tão, tão distante. Sem mulheres, sem ecologia!

Beijinhos, Garota do Blog

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