In Blog, Gênero, GTs, Pós-2015

Nos últimos dias aqui na CSW60 conhecemos a história de Berta Cáceres – aqui fazemos um relato para que você também conheça essa mulher incrível e para que, unidos, consigamos justiça para Berta.

Berta Cáceres, uma mulher hondurenha defensora dos direitos humanos, feminista e líder indígena Lenca, foi assassinada enquanto dormia em sua casa em La Esperanza em 3 de março desse ano. Ela co-fundou e dirigiu o Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH), que resistia à construção da barragem para a hidrelétrica da DESA (Desarrollos Energéticos SA) em Agua Zarca.

IMG_0798Uma semana antes de sua morte, Berta denunciou o assassinato de 4 líderes de sua comunidade, as ameaças feitas contra outros membros do COPINH e a luta de comunidades para proteger o Rio Gualcarque. Apesar da Comissão Inter-Americana de Direitos Humanos (IACHR) ter emitido medidas cautelares para proteger Berta em 2009, ela nunca recebeu proteção total e era continuamente perseguida, ameaçada, detida arbitrariamente e criminalizada por pessoas associadas à DESA, funcionários públicos e entidades do Estado hondurenho.

Membros de diversos países, maioria destes da América Latina, apoiaram as demandas da família Cáceres, do COPINH e da Iniciativa Mesoamericana de Defensoras dos Direitos Humanos das Mulheres (IM-Defensoras), que você pode ler abaixo:

  • O Estado hondurenho deve investigar o crime imediatamente e de forma transparente, levando em conta as ameaças anteriores; que a investigação seja independente, imparcial e supervisionada por órgãos internacionais; que os responsáveis sejam punidos.
  • Segurança e proteção para a família de Berta Cáceres e membros do COPINH.
    IMG_0791

    Delegação no comício por Bertha, na frente da Missão de Honduras

  • Honduras deve assegurar a segurança do mexicano defensor dos direitos ambientalistas e humanos Gustavo Castro Soto, única testemunha ocular do assassinato de Berta, garantindo seu retorno imediato ao México.
  • O Estado de Honduras deve criar um ambiente propício para a defesa dos direitos humanos em todo o seu território, comprometendo-se com a proteção e a segurança de todos os defensores dos direitos humanos e suas organizações.
  • Que a vontade dos Lenca e de outros povos indígenas, afro-descendentes e comunidades rurais seja respeitada e Honduras cumpra a Convenção 160 da Organização Internacional do Trabalho, reconhecendo consentimento prévio de cessar imediatamente a construção da hidrelétrica de Agua Zarca no Rio Branco e por uma revisão abrangente de toda a infraestrutura e projetos de desenvolvimento para determinar se consentimento livre, prévio e esclarecido tenha sido obtido.

Comparecemos a um evento para discutir e aprender um pouco mais sobre a situação das mulheres indígenas, já que esse ano não conseguimos trazer as demandas brasileiras quanto ao tema. Lá conhecemos a filha da Berta Cáceres. Ela fez um discurso emocionante de como é importante manter as lutas de sua mãe, e de como ela ainda está viva nos movimentos indígenas e feministas.

IMG_0802

Ativistas de várias partes do mundo pedem justiça para Bertha!

Ontem, dia 17 de março, participamos do comício em frente à Missão de Honduras na ONU. Gritamos palavras que pediam justiça e direitos humanos, e novamente ouvimos fortes palavras da filha de Berta.

Mais tarde muitas feministas se reuniram informalmente num evento da Astraea (Lesbian Foundation For Justice) e da Frida (Young Feminist Fund). Lá havia um altar em homenagem a Berta e a bonita mensagem que ficou do evento, reforçada pela filha da ativista, é que temos que manter a alegria, pois é ela que nos guia na luta.

 

Leave a Comment

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.

Conta aí

Tá com dúvida? Pode mandar um email pra gente!

Not readable? Change text. captcha txt

Start typing and press Enter to search