In Blog, GTs, Habitat III

Por Tiago Lucas, articulador do Grupo de Trabalho sobre Habitat III.

Não é novidade para ninguém que nas ultimas décadas o Brasil vem vivendo um aumento cada vez maior de sua população urbana, que está crescendo mais e mais devido a migração de famílias do meio rural para o meio urbano, a queda da mortalidade infantil e ao aumento da expectativa de vida da população como um todo. Com cidades cada vez mais lotadas, mais pessoas estão precisando se locomover dentro delas, causando enormes congestionamentos, com milhões de veículos soltando gases poluentes na atmosfera todos os dias, tornando a mobilidade urbana extremamente precária. Esse é um dos grandes desafios enfrentados pelas prefeituras das grandes cidades e um gargalo na vida de muitas pessoas.

Essa questão também sofre influência do crescimento do poder econômico da população que com mais dinheiro pode ter acesso a bens como o carro. Nos últimos dez anos a frota de carros no Brasil cresceu mais de 400%. Algumas cidades, como Florianópolis, Belo Horizonte e São Paulo, chegam a ter, em média, dois veículos por habitante.

Este não é um desafio exclusivo do Brasil. A maioria dos países em desenvolvimento passam por estes problemas. Pois assim como o Brasil, estes países não conseguiram acompanhar o crescimento populacional e urbano, resultando em cidades mal planejadas. Vários países considerados desenvolvidos já adotaram diversas medidas para contornar essa situação, como a adoção de ciclovias, semáforos inteligentes, etc.

Vendo isso parece até que a solução não é tão difícil, e que só copiando as ações de países desenvolvidos já resolveria tudo. E resolveria mesmo. Mas para os países em desenvolvimento, principalmente o Brasil, existem duras barreiras sociais e culturais a serem quebradas para que isso seja possível. Afinal, o principal motivo da boa mobilidade urbana destes lugares é a preferência da população pelo transporte público ou meios de transporte alternativos como a bicicleta, por exemplo. E apesar de muitas pessoas reconhecerem que um menor número de veículos nas ruas melhoraria muito o transito, elas não estão dispostas a largar o conforto de seus carros em prol dos transportes públicos que são superlotados, estão em condições precárias e são depredados pela própria população. E apesar de o número de ciclistas ter aumentado nos últimos anos, a maioria das pessoas não se diz segura em andar de bicicleta, já que notícias de atropelamentos, acidentes e mortes de ciclistas não são raras. Muitas vezes, também, motoristas não respeitam ciclistas e em muitos lugares ainda não há uma boa estrutura para o uso de bicicletas.

Também tem a questão de que a posse de um carro no Brasil é uma coisa praticamente cultural. Na metade do século XX começou a substituição da utilização do trem para o carro como principal meio de viagem, e junto com isso começou um enorme estímulo para o consumo de produtos da indústria automobilística. Tanto que o sonho de muitos jovens atualmente é possuir um carro.

Os problemas da mobilidade urbana não são poucos e não são fáceis de resolver. E apesar de já termos dado alguns passos importantes, ainda estamos longe do ideal. E para que seja possível chegar lá, além de precisarmos cobrar de nossas prefeituras cidades mais bem planejadas e transportes públicos de melhor qualidade, podemos começar por nós mesmos e mudar nossos próprios hábitos, substituindo o carro por uma bicicleta, por exemplo, ou por nossos próprios pés, se não formos muito longe. Afinal, são opções mais saudáveis, e são boas para você, para o meio ambiente, para o transito e para todos. E assim conseguiremos chegar a cidades mais sustentáveis e com melhor funcionalidade.

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