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Coloque sua máscara, esconda-se atrás de uma fantasia: é carnaval! Seja exatamente quem você sempre quis ser, mas simplesmente não é. Após o projeto verão, é o momento de mostrar a sensualidade (se o projeto tiver sido bem-sucedido) ou o lado cômico (caso não tenha dado certo). Quer dizer, se quiser perambular entre um e outro, tudo bem também. Talvez um julgamento aqui e ali, mas ei, é carnaval, tudo é permitido.

Mas… E se não for? A campanha Chega de Fiu Fiu, realizada pelo Think Olga, confirma uma realidade que as mulheres já conhecem e que, felizmente, está tomando proporções maiores. 99,6% das 7.762 mulheres que participaram da pesquisa responderam que já foram assediadas, com 83% afirmando que não gostam das “cantadas”.

Além disso, 81% já deixaram de fazer o que tinham planejado por medo de serem assediadas, enquanto 90% delas pensam duas vezes na roupa que vão usar por terem medo. Medo também presente quando, ao ouvir uma cantada, 73% decidem não responder. Complementando com o fato de que 68% delas, ao responderem “não” às cantadas, foram xingadas.

Cantada já não é engraçado há muito tempo, se é que um dia foi. Saia, vestido, decote e short curto nunca foram um convite. Estamos cansadas de entrar em um táxi e ouvir histórias sobre como mulher tem que ser delicada e gentil, uma perfeita dama, mesmo quando apanha de um marido que “tudo bem, fez errado, mas ela precisa entender que foi necessário”.

Honestamente, acho que estamos cansadas até de explicar que nos chamar de “gostosa” e “linda” não são elogios, e que não gostamos de ser limitadas a um corpo que pode ou não ser bom o suficiente para a sua cama. Não queremos saber da sua cama, por sinal. Estamos cansadas de ter que nos comparar a uma filha ou mãe para sermos ouvidas, de contar nossas histórias sob pontos de vistas mais amenos, para que você finalmente entenda quão grave as coisas são. Cansadas de sentir medo ao fazer coisas simples, como ir a um bloco ou uma balada, se não tivermos companhia. Cansadas de ter nossos corpos tocados em ônibus, festas, ruas, onde quer que seja, sem que tenhamos dado permissão explícita para isso.

Apesar do cansaço, vamos repetir tudo isso, de novo e de novo, porque queremos ser livres e não precisar de máscaras e fantasias para nos sentir confortáveis. Dentro e fora do carnaval, é permitido o que queremos que seja permitido. Quando queremos que seja permitido. Se queremos que seja permitido. E não vamos desistir de conseguir isso nunca.

Camille Labanca

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