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Por: Luisa Sette Camara

A última quarta-feira (10/12) começou com um clima de ansiedade pelos corredores da COP21, em Paris. O motivo?! Ontem o grupo de trabalho da Plataforma de Durban (o tal do ADP), passou o bastão das negociações para a Presidência francesa, que entregou uma nova versão do texto, mais limpa, que será a base do acordo que sairá daqui de Paris. O número de páginas caiu quase pela metade e o de parênteses caiu em três quartos. Mas calma que esse texto mais limpo não significa que estejamos mais próximos de um acordo ambicioso por aqui.

 

O que mudou?

O novo texto apresentado pela presidência da conferência, apesar de mais enxuto, ainda mantém entre colchetes e, portanto, ainda em discussão, os elementos que consideramos essenciais para um acordo realmente ambicioso. Entre eles, o limite máximo de aumento de temperatura em 1,5oC, a menção aos direitos humanos entre os propósitos do acordo e o objetivo de atingir emissões zero até 2050. O texto também apresenta inconsistências em relação ao papel de cada país, o que por aqui chamamos de diferenciação e, basicamente, se refere a quanto e como cada país irá contribuir para o combate às mudanças climáticas.

O que falar dessa COP? Até agora nada resolvido

E agora?

Os países se reuniram em uma sessão plenária na noite de ontem para discutirem o texto elaborado pela presidência francesa. Muitos dos países demonstraram descontentamento com o texto e reconheceram sua falta de ambição. As falas desta madrugada deixam claro que a questão de diferenciação continua sendo um impasse nas negociações sobre mudanças climáticas e que o que está sendo discutido aqui vai muito além de CO2 e mitigação.

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E nós com isso?

O texto apresentado não nos agradou nenhum pouco. Os pontos que defendemos desde que chegamos e consideramos essenciais para que esse acordo possa, de alguma forma, contribuir para o mundo que queremos, ou foram deixados de fora (como a menção à gênero no propósito do acordo) ou ainda estão entre colchetes, sendo discutidos. Por isso, mais do que nunca, essa era a hora de demonstrarmos nossa insatisfação e pedir não só por mais ambição, mas por justiça climática.

Estamos na reta final das negociações do Acordo de Paris, que está previsto para ser aprovado amanhã, portanto esse momento é essencial para assegurarmos que o resultado desse longo processo de fato assegure um futuro mais justo.  

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