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Por Debora Souza e Luizio Rocha.

As negociações específicas sobre financiamento climático na COP21 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) ainda não começaram aqui em Paris, mas com certeza esse é o assunto que está contaminando as conversas. Afinal, como faremos com que qualquer promessa do Acordo de Paris se torne realidade sem dinheiro para fazê-las?

Cadê os dinheiros? Financiamento climático é  a grande cilada da COP21.

No nosso dia-a-dia nessa semana tivemos algumas informações sobre esse assunto, que com certeza vai dar o que falar na próxima semana que começa o fechamento das negociações.

Na última terça-feira, em entrevista coletiva do Brasil na COP, a Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, foi questionada sobre usar o mecanismo REDD+ (apoio financeiro para redução da emissão de CO2 pelo desmatamento) como compensação para o aumento das emissões. A Ministra disse que apoia a iniciativa de REDD+ mas que isso não tem nada a ver com compensação e mercados de carbono.

Cadê os dinheiros? Financiamento climático é  a grande cilada da COP21.

Cadê os dinheiros? Financiamento climático é  a grande cilada da COP21.

Além disso, todos os países africanos em conjunto apresentaram um acordo para que a energia renovável do continente aumente para 300 giga-watts (what?), que significa, o dobro do que eles têm hoje.

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Mas, como nem tudo são flores, eles afirmaram que só conseguirão esse feito, se contarem com o apoio financeiro dos países desenvolvidos.

A treta maior em Paris é o tão falado GCF – Green Climate Fund (Fundo Verde Climático) que é um fundo da ONU para o financiamento de projetos sobre mudanças climáticas. A meta do GCF é atingir 100 Bilhões de dólares em “promessas” de depósito dos países até 2020, e manter esse depósito anualmente. Porém conseguimos até hoje, maravilhosos (sqn) 10 Bilhões. A grande questão aqui de Paris é: devemos incluir o setor privado para atingir essa meta? Bom, nós não concordamos com isso, e parece que o Brasil também está seguindo essa linha de não incluir o setor privado.

A França, na presidência da conferência, quer que haja qualquer sucesso aqui em Paris, por isso atingir 100 bilhões no GCF é a um dos desafios que eles querem conquistar aqui na COP21. Para isso, eles estão pressionando o G77+China para fazerem promessas de depósito no fundo, e ontem para dar uma bombada na campanha francesa, a cidade de Paris anunciou que irá depositar 1 milhão de euros no GCF. Sim, é pouco, mas na diplomacia, às vezes, um gesto vale mais que alguns milhões de dólares.

A grande cilada disso tudo é que países emergentes como Brasil e China, cujas economias estão entre as maiores do mundo e o nível de emissão de CO2 na atmosfera também, não tem a mesma responsabilidade histórica de países desenvolvidos, industrializados a mais tempo. O Brasil ainda não fez nenhuma promessa no GCF, mas segundo a Ministra Izabella, o Brasil só irá fazer isso se for aberta um mecanismo de cooperação específica entre os países do sul global dentro do fundo.

Vamos esperar o desenrolar dessa novela na semana que vem. Fique de olho para os próximos capítulos.

Cadê os dinheiros? Financiamento climático é  a grande cilada da COP21.

 

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