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Todos os anos os países se reúnem para negociar questões climáticas nas chamadas COPs (Conferencias das Partes) da ONU. Este ano os países se reunirão em Paris, a chamada COP21. Desde o protocolo de Kyoto, este será o ano mais importante, porque espera-se que as Partes firmem um acordo legalmente vinculante, no qual todos os países vão possuir compromissos ou metas nacionais para redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs), os principais causadores das mudanças climáticas devido as suas altas concentrações acima do normal. Até o dia 1º de outubro, as Partes (países) deveriam ter enviado às Nações Unidas esses compromissos nacionais de redução, chamados de iNDC, visando o novo período após 2020 no qual os países terão que implementar ações para cumprir o novo tratado a ser definido na COP 21. As metas nacionais apresentadas até então tem mostrado a intenção dos governos em se comprometerem apenas com medidas tangíveis até 2030, mas é importante que metas efetivas de longo prazo sejam discutidas a partir de agora. O G7 e o Brasil, por exemplo, já se comprometeram em descarbonizar a suas economias até o fim do século, mas tal objetivo ainda não é compatível com as necessidades impostas pela gravidade das mudanças climáticas.

Para atingir esse objetivo de limitar o aumento da temperatura global em um nível que não seja tão prejudicial para os ecossistemas e para as sociedades humanas, ações de mitigação devem ser implementadas. Mitigação é como é chamado o esforço para reduzir ou zerar as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs) causado por atividades humanas, como por exemplo o desmatamento, uso e queima de combustíveis fósseis, e as flatulências do rebanho bovino. Outra forma de mitigação é a captura desses GEEs da atmosfera e estocá-los, sendo a melhor forma dessa estratégia a plantação de florestas nativas e o reflorestamento das áreas já desmatadas. Então é basicamente reduzir as emissões de GEEs para atmosfera ou então capturar esses gases. Mas qual o problema então? Para realizar ações de larga escala de mitigação, grandes investimentos devem ser realizados e principalmente uma nova forma de pensar o desenvolvimento econômico e socioambiental deve ser estabelecida, com a utilização de fontes de energia limpa e a conservação ambiental. A princípio, essa transição para uma nova economia deverá ser bastante onerosa e por isso adota-se o princípio das “responsabilidades comuns porém diferenciadas e diferentes capacidades”, na qual os países que tem maior desenvolvimento econômico e social – ou países desenvolvidos – devem liderar esse processo e realizar ações mais concretas e ambiciosas de que as outras nações. Outro fato importante, é que justamente essas nações foram as que mais contribuíram para o agravamento das mudanças climáticas, pois seu modelo de desenvolvimento foi baseado em combustíveis fósseis, dentre outras iniciativas prejudiciais ao meio ambiente, devendo, portanto, terem mais responsabilidades no seus compromissos climáticos.

Porém, mesmo que esforços e ações de mitigação sejam realizados no curto e longo prazo, as mudanças climáticas ainda deverão causar bastante impacto de diversas formas nos sistemas naturais e nas sociedades. Por isso, que além de realizar a mitigação, os governos também devem se comprometer com a adaptação, ou seja, cada país deverá saber como o clima irá afetar futuramente sua nação, detalhando os impactos na economia, saúde, meio ambiente, etc. e promover políticas e planos para que esses efeitos negativos sejam minimizados e até mesmo possam ser convertidos em algo benéfico. Para tanto, muitos estudos, investimentos e recursos humanos devem ser destinados para esse objetivo, e como já havíamos falado, algumas nações não tem condições de realizar tais investimentos.

À medida que as negociações sobre adaptação foram avançando ao longo do tempo, se percebeu que algumas medidas de “socorro” e ajuda urgente deveriam ser mais estruturadas para auxiliar os países que sofrem com grandes catástrofes relacionadas ao clima, como tufões, furacões, enchentes devastadoras. As mudanças climáticas são reais e já apresentam grandes efeitos danosos em muitos países, principalmente os menos desenvolvidos, seja porque eles não possuem recursos e infraestrutura adequados para enfrentar tais desastres ambientais, e também por eles estarem nas zonas do globo onde tais desastres são mais frequentes. Essa noção de que desastres já afetam as nações e que em alguns casos não é possível se adaptar a tais fenômenos ligados ao clima, deu origem ao termo “perdas e danos” que se refere justamente a isso, de haver uma certa compensação ou ajuda aos países menos desenvolvidos e mais afetados para que eles minimizem as perdas desses desastres, bem como pensem em ações práticas e de curto prazo para ficarem mais resilientes (preparados) para quando esses desastres ocorram.

Para que tudo isso ocorra, mitigação, adaptação, ajuda aos países para minimizar suas perdas e danos, você provavelmente já percebeu que é necessário muitos investimentos né? Pois bem, uma das principais discussões nas negociações sobre clima, é quem deveria financiar todas essas ações de uma forma mais expressiva e como seria esse financiamento ao longo do tempo. Aqui novamente o “princípio das responsabilidades comuns porém diferenciadas e diferentes capacidades” também é debatido: se as nações desenvolvidas foram as que mais contribuíram para as atividades humanas causadores das mudanças climáticas, elas deveriam teoricamente ter uma responsabilidade maior nesses investimentos, e além disso, ajudar os países menos desenvolvidos a fazerem ações de mitigação e adaptação e bem como implantar medidas de perdas e danos.

Alguns Fundos de financiamento existem na Convenção do Clima, como o Fundo específico de Adaptação, e outros possíveis fundos deverão surgir ao longo do tempo. Mas o principal deles é o Green Climate Fund, no qual os países concordaram em investir anualmente a partir de 2020, 100 bilhões de dólares. Somente uma pequena parte dessa valor já foi prometida pelas nações e ainda muitos investimentos devem ser realizadas para chegar nesse objetivo de 100 bilhões por ano, valor que inclusive alguns acreditam não ser suficiente para combater as mudanças climáticas atualmente.

Além de recursos financeiros, para combater as mudanças climáticas e realizar iniciativas consistentes de mitigação e adaptação, é necessário um rápido e extensivo desenvolvimento e  transferência de tecnologias ambientalmente sadias que permitam um desenvolvimento sustentável a todas as nações. O desenvolvimento e transferência de tecnologias envolve a criação e aperfeiçoamento de projetos e técnicas como energia solar e eólica; manejo florestal sustentável; agricultura de baixo carbono; adaptação costeira; veículos elétricos dentre outros. É necessário que as nações comecem a destinar recursos específicos para essa finalidade, bem como realizar políticas de incentivo para que tais tecnologias sejam criadas e principalmente sejam acessíveis para toda a população. Mais uma vez, a questão aqui envolve uma grande quantia de recursos financeiros, além de conhecimento técnico bem específico, e que tais fatores não estão amplamente presentes nos países menos desenvolvidos, sendo necessário que os países desenvolvidos realizem investimentos e transfiram conhecimento técnico para essas nações mais necessitadas de recursos.

Para que os países possam identificar, projetar e implementar medidas de mitigação e adaptação, além de desenvolver tecnologias, e saber captar e aplicar recursos, é necessário que eles tenham uma estrutura de governança voltadas para as mudanças climáticas. Esse desenvolvimento de capacidades, como é chamado na convenção, mede de certa forma o nível em que o país está preparado para realizar todas essas medidas. Políticas públicas, incentivos governamentais, boa relação diplomática com parceiros, transparência e confiabilidade na gestão do clima, são algumas das formas que um país pode desenvolver sua capacidade. Esse fator é importante, pois é um ponto básico para que todas as nações tenham compromissos obrigatórios no futuro de redução, pois à medida que os países vão tendo mais recursos e conhecimento sobre como as mudanças climáticas podem ser geridas de uma certa forma, eles podem passar a implementar medidas que visem a redução ou eliminação de emissões dos Gases de Efeito Estufa. Para isso, tanto o financiamento interno – por meio do direcionamento de investimentos, políticas, etc – quanto externo, por meio do GCF ou outros mecanismos – são importantes!

 

Ufa, quanta coisa, né? Mas por isso que cada vez mais é importante os jovens terem acesso a essas informações de uma maneira sexify, porque tudo isso afeta – e muito – o nosso presente e futuro. E aí, tá afim de participar disso e dar sua opinião? Participe da nossa consulta! https://pt.surveymonkey.com/r/COP21pt Fizemos em parceria com o Clic!, um movimento de jovens da América Latina preocupados com as mudanças climáticas.

Vamos construir juntos um posicionamento da juventude brasileira?

 

 

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