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11 de dezembro. Lima, Peru

Ontem dia 10/12 foi um dos dias mais emocionantes durante esses dias de conferência. Nós do engaja estivemos presentes na Marcha Mundial por Justiça Climática. Foi um momento de extrema importância para dar força a nossa causa e a luta que estamos travando, pois quem não sabia que a COP20 estava acontecendo e decisões cruciais estavam sendo tomadas nas negociações, agora sabem. Quem estava lá, pôde sentir a pressão latina, já que éramos maioria. Mas vale salientar que não só de jovens se fez a marcha, mas de vários movimentos sociais. O engaja levou algumas pautas para defender, como a rechaça a PEC215, que será votada próxima semana e trata sobre a demarcação das terras indígenas ser feita por congressistas, vale lembrar que sua maioria é composta por ruralistas. Também defendemos “Água para quem precisa”, já que as industrias tem sido prioridade no fornecimento da água, enquanto a população passa por um período de seca e consequentemente tem que lidar com o racionamento. Um exemplo forte disso é a transposição do Rio São Francisco, onde parte da água será destinada para a Termelétrica do Pecém, no Ceará, além disso ainda terão 20% de desconto no preço final da água. Enquanto esses planos são traçados pelo governo, a população cearense já sofre com a falta d’água, lidando desde já com o racionamento e assistindo os maiores açudes do Estado chegar a capacidade próxima de ZERO. Além dessas reivindicações, não podia faltar o banner do engaja com a nossa mensagem ” O MUNDO NÃO ESPERA”.

Ainda falando sobre intervenções , após a marcha houve outra manifestação, a qual houveram diferentes interpretações sobre a mesma, algumas fontes descreveram como sendo para a energia limpa e água, enquanto outros (The Guardian) falou mais sobre a equidade. Não houve menção de justiça climática em qualquer um dos principais meios de comunicação.

O segundo ponto alto do dia foi a reunião da delegação brasileira com a presença da Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, foi bastante acalorada devido a pergunta de um dos nossos voluntários, o Iago Hairon. A Ministra apenas fez uma apresentação rápida, e abriu o espaço para que a sociedade civil fizesse perguntas. A pergunta do Iago, foi bem formulado e baseada em dados e fatos reais, alem disso posicionou sua crítica de forma construtiva, com direito a aplausos no final da sua fala. Iago questionou sobre o GCF, que o Brasil como 4o maior poluidor do mundo deveria ser o primeiro a inserir dinheiro no fundo verde. Também pediu coerência entre o diálogo do governo na COP20, e os acontecimentos no Brasil, como o leilão de energia onde apesar de 65% da energia a venda provir de da solar, eólica e biomassa, do total contratado apenas 19% virá de fonte eólica e 12% de biomassa. O destaque mesmo foram as energias maia poluentes que vem da queima do carvão mineral e do gás natural. Por isso a pressão para que o Brasil doe dinheiro para o GCF o quanto antes. Em resposta, a Ministra acha que essa questão de energias limpas deve ser discutida, e enfatizou o fato de que em sua opnião o Brasil não precisa de carvão em sua matriz energética. Sobre o GCF a resposta que tivemos foi que o Brasil apóia a iniciativa sobre o guarda-chuva da UNFCCC, mas que a prioridade era implementar o que já foi acordado. O embaixador José Marcondes alertou para o fato de que o Brasil vem estimulando a cooperação SUL-SUL. E que o mesmo está compartilhando sua experiência e técnicas de captação de imagem, em prol si combate ao desmatamento na Amazônia, para outros países amazônicos, ele ressaltou que tudo isso tem sido um alto investimento.
Ainda sobre o GCF foi colocado que o México tinha inserido 10 milhões, e o Perú 6 milhões no fundo verde. Sendo assim, foi questionado a nossos representantes, a possibilidade de o Brasil colocar pelo menos 10 milhões, que no caso, foi a quantidade que o México inseriu. A Ministra respondeu que iria anotar o pedido e repassá-lo para o Ministro da Fazenda, pois não tinha competência para tomar essa decisão.
O que esperamos de tudo isso, é que o governo ceda à pressão e insira dinheiro no GCF, pois sabemos que se trata de bilhões para podermos nos adaptar e também para que ocorra a mitigação no nosso país.

Por: Mariana Guedes

Imagem: Cumbre de los Pueblos

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