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Por Iago Hairon, do GT da COP-19 do Engajamundo.

Foto: Diego Lozano

          De neutro para negativo, essa foi a frase que o embaixador José Marcondes, chefe das negociações do Brasil na COP19 usou para definir os resultados da 19ª Conferência Quadro das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas que aconteceu em Varsóvia, Capital da Polônia, de 11 a 22 no mês passado. Seu discurso foi durante o Colóquio internacional agenda pós-COP19, ocorrido nessa sexta-feira, 06 de dezembro, no Congresso Nacional.

Segundo ele as negociações foram marcadas por impasses gigantescos, pois, “não havia concordância em relação aos anúncios dos compromissos dos países”. Foram acordados recuos em compromissos internacionais de diversos países e relutância de países desenvolvidos na aprovação de diversas propostas, a exemplo da proposta de responsabilidade histórica das emissões de gases de efeito estufa lançada pelo governo brasileiro na Conferência.

“A COP19 em Varsóvia se consolidou antes mesmo de acontecer como uma COP de transição, ou seja, não eram esperadas grandes resoluções da conferência, mas sim a construção de metas para a COP20 em Lima e a COP21 em Paris. Isso pode ser notado no estresse político tanto das Partes que não chegavam a um acordo e dos movimentos sociais que deixaram a conferência no penúltimo dia em protesto a todo o processo que ali estava acontecendo”, resumiu Marcondes.

Em sua fala, a Ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, reforçou a ideia de que “é óbvio que precisamos mudar o processo de diálogo não só com as partes e não só com as ONGs, mas com os jovens, os trabalhadores e diversos atores que não são inseridos nesse contexto.” E essa seria uma nova agenda do Governo para reforçar o posicionamento do Brasil na COP20 que, segundo a Ministra, “será a COP da Amazônia”.

 

Consultas Nacionais

 

Uma das demandas de Varsóvia foi a abertura de consultas nacionais com a sociedade civil no intuito de inserir novos grupos no debate de mudanças climáticas. Marcondes afirmou que “possivelmente essas consultas deverão ser iniciadas em janeiro de 2014” em todo o país.

Em aspecto geral, as consultas serão uma forma importante de diálogo com o governo, porém é válido questionar como acontecerão essas consultas. Representantes da sociedade civil ligados à temática não querem que esse processo seja apenas um “teatro” onde os atores nele envolvidos pensem que estão fazendo a diferença. Por isso é importante cobrar legitimidade constitucional e reconhecimento institucional, para assim garantir realmente um processo de construção coletiva.

Nesse contexto, também é fundamental que a juventude esteja mais e mais engajada e atenta a tudo que está acontecendo. As perspectivas de mudanças, e a mudança em si, só ocorrem com o movimento contínuo. Afinal, falar de mudanças climáticas é, em uma determinada lógica, falar sobre nós mesmos.

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