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Texto da articuladora Laura Jungman, coordenadora do projeto da COP-19, escrito para nós desde a Polônia!

Há alguns dias, aqui na COP, entrei numa conversa muito legal com alguns delegados jovens da Inglaterra e dos EUA sobre desinvestimento. Eu, que nunca tinha ouvido falar do tema, fiquei curiosa e fui entender como isso funciona.

Desinvestimento é uma estratégia de campanha na qual se faz pressão para que investimentos não sejam direcionados a uma determinada empresa, país ou setor industrial por razões éticas. Durante o apartheid da África do Sul, por exemplo, estudantes americanos fizeram pressão para que as universidades nas quais estudavam não investissem no governo e em empresas sul-africanas. Assim, conseguiram dar visibilidade aos absurdos do governo segregacionista, e a difusão progressiva dessa campanha pelos EUA e por outros países ajudou a enfraquecer economicamente o governo da África do sul e a colaborar para a transição política. Uma estratégia semelhante também foi colocada em prática para expor a indústria do tabaco.

Hoje, a campanha de desinvestimento volta às universidades inglesas e americanas com o Fossil Free Movement, contra a indústria dos combustíveis fósseis. Afinal, já que as universidades estão lá para garantir o melhor dos futuros para as novas gerações, nada mais certo do que não investir em formas de energia que são prejudiciais ao nosso planeta, certo? Cidades, estados, igrejas e fundações e fundos de pensão também estão na mira dos articuladores dessa campanha.

Apesar de ter surgido há pouco mais de um ano, oito universidades, 21 cidades e 3 fundações já abdicaram de investir em indústrias produtoras de combustíveis fósseis e seus variados. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Oxford, é a campanha de desinvestimento com crescimento mais rápido já registrada.

Por enquanto, a campanha está presente só em países considerados desenvolvidos. Resta saber se – e como- a campanha cabe nos países em desenvolvimento. Claramente nosso contexto é muito diferente dos países desenvolvidos, e isso inclui a forma pela qual investimentos são feitos no sul global.

Mas também temos uma chance de modificar essa campanha e aplicá-la às necessidades e condições de países em desenvolvimento. Em vez de simplesmente desinvestir, porque não redirecionar essa grana toda pra projetos de energia limpa e de menor escala? No Quênia, por exemplo, um projeto chamado “Good Lights” fornece painéis de energia solar para uso em pequena escala para pequenas comunidades que não estão conectados à rede elétrica. Cabem aí também todos os chamados social businesses, que, para além dos aspectos econômicos, focam nos benefícios sociais dos negócios.

No Brasil, podemos investir também em projetos de energia limpa que foquem no benefício social e que ajudem na diminuição da desigualdade. Fica aí o convite para conversarmos quando voltarmos da COP para pensarmos em possibilidades para nós não só desinvestirmos, mas também repensarmos em qual tipo de desenvolvimento nós queremos para o nosso país!

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